Quando a Giovanna passa sobre as ruas de Arequipa
Como o verbo no princípio a naufragar no peito
Onde a terra é abundante e as árvores dão frutos
E o leão e o cordeiro caminham lado a lado
E nas tuas pálpebras em flor
Os meus olhos pousam como duas borboletas
E o meu corpo não sente fome nem sede nem distancia
Porque tu habitas-me como a eternidade de todas as coisas
Sem o predador e a presa angustiados
Porque tu és como o maná sobre a rocha do deserto
A semente que diz palavras de amor sobre a areia
És como um sol suave que não queima
Por mais frio que caia sobre o corpo
Tu dizes sempre a Primavera através das tuas mãos quentes
Morro todos os dias e sou feliz contigo
Porque tu és o lugar onde Deus criou Adão e Eva.
manuel feliciano
Em Arequipa
O teu sorriso é tão natural
Como o sillar nas casas
Cortamos as rédeas aos condores
Anulamos as grandes edificações
O amor é tão simples como uma cabana
Em Arequipa
O teu coração é a mansão de Deus
O Inverno é tão quente como as tuas mãos
Não trocas um olhar pelos mais doces sabores
O pôr-do-sol é um manjar na mesa dos convivas
Em Arequipa
As palavras são as verdadeiras edificações
Sepultas-me a dor no teu coração
As crianças alimentam-se do luar
Os corpos estão doentes e as mentes estão sãs
Em Arequipa
Há um rio que corre a cada olhar
Uma muralha que cai a cada beijo
Uma obra que se constrói ao dar as mãos
O amor é alma.....
Sillar: pedra de origem vulcânica
de cor branca que serve de construção
às casas na cidade de Arequipa – Perú
manuel feliciano
Àqueles que não buscam
Fujo de homens cansados
Que carregam pedras ao colo
Como as montanhas as rochas
Evito a ferrugem entre os ferros
E óxido entre as palavras
Sou néctar coração rosa
Corpo liquido em pedra – face
Cobra de vento em pés de areia
Como navios que sofrem
Pelas mãos de um pescador
Sou âncora a erguer-se das águas
Grito de selva em Matchu-Pitchu
Nas asas de céu de um condor
Ando por aí perdido….
Como peixes entre as ondas
Nas ondas que não têm mar!
manuel feliciano
São prováveis os meus cabelos em Matchu-Pitchu
Eu extravase esses rios onde lavas a cara
Que os incas gritem o meu nome nesses caminhos
Que estenda uma toalha no chão e coma desse sol
E mate a sede na lava ardente del Misti
Que desça pelo teu colo como um vinho inebriante
Que os teus dedos não tenham força nem voz e claridade
Para me tocarem através dessas rosas
Que eu chame por ti nessas névoas como navios no céu
Que seja as tuas pernas apressadas nessas ruas
No bálsamo em que me escorro no pôr-do-sol em Paucarpata!
manuel feliciano
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Reseña biográfica
Nací en Jequetepeque. (Pacasmayo) Dirijo la Revista Literqria RUNAKAY. Soy Presidente del Centro de DEsarrollo Cultural y Agrario RUNAKAY (Cedecar) He publicado varios libros de poesía.